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sexta-feira, fevereiro 3

Poema ou assim #13

pego
no post
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página d'
agenda que
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almoço produti
vo
versos danados
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no

presente

logo
vi
comovi
do

futuro

terça-feira, outubro 4

poema ou assim #02

Para o Manuel San Payo, urso maior que só brilha à noite

BUNNY
bocado original:
nascemos cada dia com
nó na garganta
procuramos lugar onde depositar
o soluço

quem canta percebe melhor:
não há nem pode haver
andaime ou ensaio
apenas o peito a encher-se
cada qual ardendo antes d’
a voz
que o há-de consumar

quem pinta sabe-o bem:
o sítio tra veste-se de tela ecrã tablete
como o lugar se ergue casa da cor
onde recebe
cor pos pincéis olh ares
para morar só de passagem


&
tenho a barba
traz tu a cerveja

rompeu um pátio no meu peito
onde o azul descansa do chicote das
árvores
agora que os pássaros adoptaram as
cobras


BEAR
as mãos
abrindo a cortina da novidade
permitem que a paisagem
entre com tudo ainda fechado
nem choro nem riso
apenas paisagem:

no topo nascente além dos
prédios
com os passeantes tatuados nos
seios
vê-se a cidade que grita
à esquerda de quem amachuca o mapa
enquanto os outros se perdem
de novo na cave
sangrenta dos segundos

congelado e quieta fica
a paisagem
enquanto
dos dedos do pianista
dos dedos do pintor
escorrem
respirações suspiros
de quem vai
porque o dia voltou a nascer
& o aguarda um companheiro


não são pares
os olhos, as mãos, os pés?


quarta-feira, março 30

poema ou assim #01

As nuvens foram coladas com fita
palco de teatro suspenso no terror
e nisto de ventos não anunciados
soltas o cabelo polvo
de modo a encher a noite de cata-ventos
puxando pelo gesto o peso pluma
a pisar sem esforço o horto inútil
escalando o amanhecer dos mapas reunidos e
amarrotados do sorriso
ofensa e desafio.

Os nimbostratus deixaram-se ficar quedos.

segunda-feira, fevereiro 14

Estamos velhos!

Pois estamos, sem ganhar com isso particular sabedoria: estamos cada um por si, cegos, velhos e já mortos. Com a visão profética de uma poesia que se rasga muito para além do umbigo, Paulo da Costa Domingos leu estes dias na sua mais recente plaquete (que pode ser encontrada aqui no meio de outros antigos), e que leva por título brutal, O Homem Quase Novo.

De Vala Comum:

«[...]
olham pendentes para ambos os lados, param,
urinam-se, mesmo inertes são seres,
compêndios de dinâmica, arma
à beira de explodir na indiferença urbana
e, pois não!: civilizada. Devagarinho
arrastam uma réstea de sol, só memória,
só impulsão de cadáver para a superfície
de uma saia que passa, e voltam-se...
[...]

Os velhos, ó se estamos sempre a gritar-lhes,
piores que crianças, pelo contrário.»

terça-feira, fevereiro 1

Fevereiro, primeiro

Que me faz regressar a sítio tão esquecido, entre a cortina e a vidraça? Encosto a gordura da pele à superfície do vidro e invoco S. O'Neill. Daqui te saúdo, mandando versalhada de parabéns em atraso ao Cabrita-do-sul.

AUDITORIUM DE VAREJEIRAS

que gozo me dá
sem nódoa ou mágoa
ver que a rima surreal
não evitou a modos que nos anos anões
esta passagem
na lombada lambida pelo sol
de castanho a verde
terá o astro rei carcomido o popular amarelo?
mas as legendas das curtas brilham ainda de negro
entre a cortina e a vidraça
de cada página que dorme entre par e ímpar

tu que escrevivias como apóstrofe
abrindo espaços siderais
entre as letras
que zonzo ainda me deixas